sexta-feira, 16 de setembro de 2016

PROBLEMA DAS ENCHENTES

GEOGRAFIA

As enchentes são fenômenos naturais, mas podem ser intensificadas pelas práticas humanas no espaço das cidades.
O problema das enchentes passou a ser algo comum na vida das populações de algumas cidades. Infelizmente, todo o ano é a mesma coisa: entre os meses de dezembro e fevereiro, os noticiários são tomados por problemas relacionados com a elevação dos cursos d´água e a inundação de casas e ruas, desencadeando uma série de tragédias que, quase sempre, poderia ser evitada.
Mas por que as enchentes ocorrem? É possível combatê-las?
Para fins didáticos, dividimos a ocorrência das enchentes em dois tipos de causas principais: as naturais e as antrópicas, pois trata-se de um fenômeno comum na natureza, mas que é intensificado pela ação humana.
Causas naturais das enchentes
Em geral, os rios perenes – isto é, aqueles que nunca secam durante o ano – costumam ter dois tipos de leito: um menor e principal, por onde a água corre durante a maior parte do tempo, e um maior e complementar, que é inundado apenas em períodos de cheias. Essa manifestação é mais comum em áreas planas, também chamadas de planícies de inundação. Observe o esquema a seguir:
Esquema de um rio, com o seu leito maior e menor representados
Esquema de um rio, com o seu leito maior e menor representados
Na representação acima, temos um corte transversal do curso de um rio em que estão representados os seus leitos maior e menor. Eventualmente, dependendo do curso d'água e das condições meteorológicas e locais, o leito maior é inundado, provocando as cheias em sua área. O período em que isso ocorre varia de rio para rio e, quando não é muito comum, o leito do rio pode até ser ocupado por algumas casas, vilas e até cidades, que são surpreendidas pelas cheias naturais eventuais. Em alguns casos, cidades inteiras ficam embaixo d´água.
Exemplo de cidade invadida pelo leito maior de um rio
Exemplo de cidade invadida pelo leito maior de um rio
Causas antrópicas das enchentes
A interferência humana sobre os cursos d'água, provocando enchentes e inundações, ocorre das mais diversas formas. Em casos extremos, porém menos comuns, tais situações podem estar relacionadas com rompimentos de diques e barragens, o que pode causar sérios danos à sociedade. Mas, quase sempre, essa questão está ligada ao mau uso do espaço urbano.
Um problema que parece não ter uma solução rápida é o elevado índice de poluição, causado tanto pela ausência de consciência por parte da população quanto por sistemas ineficientes de coleta de lixo ou de distribuição de lixeiras pela cidade. Além do mais, há problemas causados pela poluição gerada por empresas e outros órgãos. Com isso, ocorre o entupimento dos bueiros que seriam responsáveis por conter parte da água que eleva o nível dos rios. Além disso, o lixo gerado é levado pelas enxurradas e contribui ainda mais para elevar o volume das águas.
A ocorrência de enchentes nas cidades também pode estar relacionada comproblemas nos sistemas de drenagem. Às vezes, não há bueiros ou outras construções que seriam responsáveis pela contenção ou desvio da água que corre para os rios, provocando a cheia deles. Além disso, somente a construção de bueiros e sistemas de drenagem pode não ser suficiente, isso porque as demais ações antrópicas podem elevar gradualmente a vazão das enxurradas ao longo dos anos, fazendo com que as drenagens existentes não consigam atender toda a demanda.
Outra questão é a ocupação irregular ou desordenada do espaço geográfico. Como explicamos, algumas áreas correspondem ao leito maior de um rio que, esporadicamente, inunda. Com a ocupação irregular dessas áreas – muitas vezes causada pela ausência de planejamento adequado –, as pessoas estão sujeitas à ocorrência de inundações. Além disso, a remoção da vegetação que compõe o entorno do rio pode intensificar o processo, pois ela teria a função de reter parte dos sedimentos que vão para o leito e aumentam o nível das águas.
Apesar de todos os problemas acima mencionados, a causa considerada principal para as enchentes é, sem dúvida, a impermeabilização do solo. Com a pavimentação das ruas e a cimentação de quintais e calçadas, a maior parte da água, que deveria infiltrar no solo, escorre na superfície, provocando o aumento das enxurradas e a elevação dos rios. Além disso, a impermeabilização contribui para a elevação da velocidade desse escoamento, provocando erosões e causando outros tipos de desastres ambientais urbanos.
Como combater as enchentes?
Existem inúmeras medidas de combate às enchentes. A cidade de Belo Horizonte, por exemplo, contratou em outubro de 2013 alguns “olheiros”, que são funcionários encarregados de detectar o início de inundações em áreas de risco. Eles teriam a função de minimizar os efeitos da “inundação relâmpago”, aquela que ocorre em um curtíssimo período de tempo. Outras ações envolvem a construção de barragens e o desassoreamento do leito dos rios, em que todos os sedimentos existentes no fundo dos cursos d'água são removidos, aumentando a sua profundidade.
Mas todas essas medidas são paliativas, ou seja, são apenas para minimizar ou combater uma situação já existente. A melhor forma de lidar com esse problema, na verdade, é realizar uma devida prevenção, através da construção de sistemas eficientes de drenagem, a desocupação de áreas de risco, criação de reservas florestais nas margens dos rios, diminuição dos índices de poluição e geração de lixo, além de um planejamento urbano mais consistente.
Ocorrência de enchente no estado de Santa Catarina, em 2008
Ocorrência de enchente no estado de Santa Catarina, em 2008. *
O problema das enchentes é crônico em muitas cidades brasileiras, com destaque para o Rio de Janeiro. A capital carioca costuma sempre aparecer nos noticiários com ocorrências desse tipo em períodos de chuva, além de outras cidades que também padecem da mesma situação. As inundações, além de danos materiais, podem provocar doenças, como a leptospirose. Portanto, trata-se também de uma questão de saúde pública.
Postado por: Carlos PAIM

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Mais de 90% de área vistoriada pelo Ibama ainda têm rejeito da Samarco

Fiscalização foi feita em 100 Km entre barragem de Fundão e Candonga.

Em 64,13% dos pontos, não foi constatada obra de contenção de encosta.

Do G1 MG

GNews - MP de Minas Gerais investiga mudanças na Barragem do Fundão que não foram autorizadas (Foto: Reprodução/GloboNews)Rompimento da barragem de Fundão aconteceu no dia 5 de novembro  (Foto: Reprodução/GloboNews)

















Uma vistoria feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em uma área de 102 quilômetros entre a barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, conhecida como Candonga, em Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata, apontou que em 96,74% dos pontos vistoriados, não foi constatada a remoção do rejeito pela mineradora Samarco.
As ações divulgadas nesta quinta-feira (14) foram feitas entre os dias 30 de maio e 11 de junho e fazem parte da Operação Áugias.  Quatro equipes dividiram a área em 96 pontos diferentes. Elas vistoriaram áreas do complexo de Germano (onde ficava a barragem que se rompeu em 2015), estruturas remanescentes, sistema de bombeamento de águas pluviais, trechos do córrego Santarém, do Rio Gualaxo do Norte, do Rio do Carmo, do Rio Doce e seus córregos afluentes.
De acordo com o Ibama, a região foi a mais devastada pela tragédia. De acordo com o diagnóstico, o volume de rejeito observado em alguns pontos alcança 50 centímetros de altura.
“Os maiores problemas verificados em campo foram o carreamento de
sedimentos depositados nas margens dos tributários (córregos) para suas calhas principais, o assoreamento de nascentes e olhos d’água, a dificuldade de desenvolvimento da vegetação (mesmo em áreas de semeadura) devido à ausência de solo e à instauração de processos erosivos e a ausência de drenagens pluviais nas vias de acesso”, diz o relatório.
De acordo com o Ibama, a Samarcoapresentou uma relação de 68 afluentes a serem recuperados emergencialmente. No entanto, as equipes visitaram 83 cursos d’água afetados, 15 a mais dos que foram apresentados pela mineradora. Todos foram afetados pelo desastre ambiental.
Em 64,13% dos pontos vistoriados, não foi constatada nenhuma obra de contenção de encosta. Em 68,48%, não foi constatada nenhuma obra de drenagem.
“A Samarco não está adotando critérios básicos e estruturas de conservação de solos para minimizar ou mesmo impedir a erosão hídrica ocasionada pelas chuvas”, disse o relatório.
A vistoria abrangeu os municípios de Mariana,Barra Longa, Ponte Nova, Santa Cruz do Escalvado e Rio Doce.
Segundo o Ibama , obras de drenagem e contenção devem ser realizadas imediatamente.
“Sem tais obras, tanto os trabalhos de reconformação do terreno quanto de semeadura serão comprometidos, gerando, como consequência, pontos de erosão”.
O Ibama determinou que a Samarco apresente em cinco dias um mapeamento completo de todos os cursos d’água afetados e protocole em 48 horas um projeto específico de intervenções em cada um deles, além dos rios.
A mineradora também deve apresentar, até 31 de julho, os resultados já obtidos dos estudos sobre o rejeito depositado na região para avaliação adequada quanto ao manejo e “posterior tomada de decisão quanto à sua destinação ou aproveitamento”.
Ela deve apresentar, no prazo de 10 dias, um mapeamento de todos os lagos, lagoas e açudes afetados pelo “mar de lama” e implementar ações recomendadas para cada ponto vistoriado.
As obras de contenção de encostas devem ser realizadas até 1º de setembro, época em que, tradicionalmente, começa a temporadas de chuvas na região.
“Do total de pontos visitados impactados (92), são necessárias obras em pelo menos 68%”, disse o Ibama
Um ponto positivo foi que nos cursos d’água onde as obras ainda não foram realizadas, embora haja rejeito, espécies nativas foram encontradas.
A Samarco divulgou nota informando que "cumpre rigorosamente os prazos definidos no escopo do acordo assinado pela Samarco, seus acionistas (Vale e BHP Billiton), os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo - do qual o IBAMA é um dos signatários".
Ainda de acordo com a nota, "pelo termo, há uma seção específica sobre o manejo dos rejeitos remanescentes do rompimento da barragem de Fundão, que prevê a realização de estudos que nortearão as tomadas de decisão. No mês de julho serão entregues estudos relevantes para subsidiar as ações de manejo de tais rejeitos".

A Samarco ainda disse que obras de drenagem e contenção de encostas foram iniciadas logo após o acidente. A nota informou que "estas e outras atividades estão sendo realizadas para a recuperação ambiental das áreas impactadas, como a dragagem do reservatório da UHE Risoleta Neves (Candonga), estabilização do rejeito via revegetação emergencial, além da recuperação de afluentes e monitoramento da qualidade da água em 94 pontos ao longo do rio Doce".
Tragédia
Em 5 de novembro, o rompimento da barragem de Fundão, que pertence à mineradora Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, afetou distritos de Mariana, além do leito do Rio Doce. Os rejeitos atingiram mais de 40 cidades de Minas Gerais e no Espírito Santo e chegou ao mar. O desastre ambiental é considerado o maior e sem precedentes no Brasil
.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Bioma Mata Atlântica
http://www.projetobiomas.com.br/

Site do UOL Notícias

http://noticias.uol.com.br/

Postado por: Ygor I. Mendes